Supermercados em Campinas usam aplicativo para se diferenciar da concorrência

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App de inteligência artificial promete acabar com a pesquisa manual de preço e antecipar decisões antes do fechamento do jornal de ofertas.

Até hoje, saber o preço do concorrente em um supermercado costuma depender de um funcionário deslocado até a loja rival, um print de encarte compartilhado no grupo de WhatsApp ou uma planilha remendada à mão pelo comprador.

É lento, cobre poucos itens e, na maior parte das vezes, ninguém confia totalmente no número final.

A JBC Consultoria aposta que esse cenário está com os dias contados com o lançamento do XERIFE, um aplicativo que promete transformar a espionagem de preço artesanal em um radar automatizado.

A lógica do XERIFE é simples. O varejista cadastra o próprio negócio, os produtos mais importantes na percepção de preço da loja, organizados nas curvas A, B e C, e os concorrentes que disputam a mesma praça.

A partir daí, o aplicativo passa a reunir automaticamente o que está publicamente disponível sobre cada rival: encartes, ofertas, redes sociais, anúncios, aplicativo próprio, reputação online e ponto de venda. Tudo isso é organizado em um único painel, item a item.

O resultado é uma espécie de fotografia diária do mercado, no lugar da apuração mensal ou esporádica que ainda domina o setor. “A decisão de preço é tomada hoje com informação lenta, incompleta e difícil de auditar”, resume Vinicius Faria – Consultor de Marketing de Supermercados ao falar sobre o produto.

O diferencial não para na coleta de dados. Sobre esse comparativo, uma camada de inteligência artificial sugere onde há espaço para subir preço e ganhar margem, e onde é preciso baixar para recuperar competitividade.

A decisão final continua sendo do comprador, mas ele passa a partir de uma base concreta, e não de percepção ou de memória.

O nome do produto não é acaso. Assim como um xerife patrulha o próprio território, o aplicativo monitora continuamente a praça em que o supermercado atua, sinalizando desde a chegada de um novo concorrente até variações de preço em datas comemorativas, quando o comportamento do mercado costuma mudar de forma mais brusca.

Um dos usos mais imediatos, segundo Vinicius Faria, está no fechamento do jornal de ofertas: antes de definir o preço da capa, o comprador consegue conferir a curva A do mercado inteiro em minutos, sem precisar montar uma planilha do zero.

A mesma lógica vale para negociações com a indústria, em que a evidência de preço praticado na praça passa a sustentar a conversa com o fornecedor.

A JBC reforça que o XERIFE trabalha com dados públicos, dentro da LGPD. A diferença está na nossa metodologia própria de captação e cruzamento desses dados, em escala e tempo real, algo que ninguém mais no mercado entrega.

Resta ver se, diante de um mercado cada vez mais acostumado a decisões em tempo real, o supermercado que ainda manda um funcionário fotografar a gôndola do concorrente vai sobreviver à concorrência de quem já tem esse dado prontamente organizado na tela.

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